A história de Rute é um dos relatos mais inspiradores das Escrituras, demonstrando a provisão divina, a fidelidade e o cuidado de Deus para com aqueles que confiam n’Ele. Ao retornar a Belém com sua sogra Noemi, Rute encontrou-se em uma situação de extrema necessidade, sem recursos para seu sustento. Foi então que ela decidiu colher espigas nos campos, prática permitida pela lei mosaica para ajudar os necessitados. O que Rute colhia nos campos de Boaz não era apenas alimento para sua sobrevivência, mas também a evidência do cuidado divino que conduzia sua história a um propósito maior.
Na época da colheita, os agricultores de Israel seguiam a orientação de deixar para trás parte das espigas para que os pobres, estrangeiros e viúvas pudessem recolhê-las. Essa prática é conhecida como respigar, e foi exatamente isso que Rute fez nos campos de Boaz. A Palavra de Deus nos revela essa decisão da jovem moabita:
“E Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele em cujos olhos eu achar graça. E ela lhe disse: Vai, minha filha.” (Rute 2:2 – ARC)
Ao sair para colher, Rute não sabia que estava entrando nos campos de Boaz, um parente próximo de Elimeleque, falecido marido de Noemi. No entanto, essa não foi uma mera coincidência, mas parte do plano de Deus para transformar a vida dessa mulher fiel e perseverante.
A jornada de Rute nos campos de Boaz nos ensina preciosas lições sobre confiança, obediência e a graça divina. Assim como Deus cuidou dela e proveu o que precisava, Ele continua a suprir as necessidades de Seus filhos. No final deste artigo, explicaremos como essa história se relaciona com o Salmo 37 explicação que reforça essa verdade espiritual.
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Por que Rute Foi Colher Nos Campos de Boaz?
No contexto bíblico, a prática de colher espigas após a colheita era uma provisão divina para os necessitados. Rute, sendo uma viúva estrangeira em Israel, não possuía terras nem sustento próprio, e essa era a única forma de conseguir alimento para si e para sua sogra, Noemi.
A Lei de Moisés determinava que os agricultores não recolhessem completamente suas colheitas, deixando parte para os pobres e estrangeiros. Essa ordem está registrada em Levítico 19:9-10, onde Deus instrui Seu povo a cuidar dos necessitados. Foi com base nesse princípio que Rute teve a oportunidade de buscar alimento nos campos de Belém.
A decisão de Rute de colher espigas não foi apenas uma questão de sobrevivência, mas também um ato de humildade e determinação. Ao pedir permissão para Noemi, demonstrou respeito e iniciativa:
“E Rute, a moabita, disse a Noemi: Deixa-me ir ao campo, e apanharei espigas atrás daquele em cujos olhos eu achar graça. E ela lhe disse: Vai, minha filha.” (Rute 2:2 – ARC)
Rute não escolheu qualquer campo ao acaso, mas, pela providência divina, acabou nos campos de Boaz, um homem temente a Deus e parente de Noemi. Esse encontro não foi coincidência, mas fazia parte do propósito de Deus para abençoá-la e dar um novo rumo à sua história.
A atitude de Rute ao ir colher nos campos de Boaz reflete a importância do esforço aliado à fé. Assim como ela se dispôs a trabalhar para garantir seu sustento, também devemos agir com diligência enquanto confiamos na provisão de Deus.
Como Boaz Tratou Rute Durante a Colheita?
Quando Rute começou a colher nos campos de Boaz, ela não imaginava que encontraria um homem que demonstraria tanta generosidade e compaixão. Boaz era um israelita rico, proprietário de terras e parente de Elimeleque, o falecido marido de Noemi. Ao perceber a presença de Rute em seus campos, Boaz imediatamente se interessou em saber quem ela era e como havia chegado ali.
Após ser informado sobre sua história e sua dedicação a Noemi, Boaz dirigiu-se a Rute e, de maneira bondosa, garantiu que ela pudesse colher com segurança, sem ser molestada pelos trabalhadores do campo:
“Então, disse Boaz a Rute: Não ouves, filha minha? Não vás colher a outro campo, nem tampouco passes daqui; porém aqui te ajuntarás com as minhas moças.” (Rute 2:8 – ARC)
Além de permitir que Rute continuasse respigando, Boaz ordenou a seus trabalhadores que deixassem espigas propositalmente para que ela recolhesse com mais facilidade. Essa atitude demonstrava sua generosidade e senso de justiça, cumprindo a lei de Deus em relação aos necessitados.
Boaz também ofereceu proteção a Rute, garantindo que ninguém a prejudicasse e concedendo-lhe o direito de beber da água que seus trabalhadores haviam tirado do poço. Esse gesto demonstrava não apenas hospitalidade, mas também um sinal de honra e respeito, algo incomum para uma estrangeira moabita em Israel.
A atitude de Boaz revela como Deus cuida dos que são fiéis. Ele usou Boaz para providenciar sustento e segurança para Rute, mostrando que, mesmo em tempos difíceis, o Senhor levanta pessoas para abençoar aqueles que confiam n’Ele.
O Significado da Colheita de Rute na Bíblia
A colheita de Rute nos campos de Boaz vai muito além de um simples ato de respigar espigas para sobrevivência. Esse episódio carrega um profundo significado espiritual e simbólico dentro da narrativa bíblica, refletindo a provisão divina, a redenção e a inclusão dos gentios no plano de Deus.
A princípio, Rute estava apenas buscando sustento para si e para Noemi, mas sua jornada revelou um plano maior. O fato de ter ido parar justamente nos campos de Boaz demonstra como Deus guia os passos daqueles que confiam n’Ele, mesmo sem perceberem. Boaz, ao tratar Rute com bondade e generosidade, torna-se uma figura redentora, um reflexo do próprio Deus que cuida e provê para Seus filhos.
Além disso, a colheita de Rute aponta para a graça de Deus. Como moabita, ela não fazia parte do povo escolhido de Israel, mas foi acolhida, protegida e honrada. Esse fato nos lembra que Deus não rejeita aqueles que se aproximam d’Ele com um coração sincero.
A generosidade de Boaz também se evidencia quando ele convida Rute para participar da refeição ao lado de seus trabalhadores, garantindo-lhe fartura:
“E, sendo já hora de comer, disse-lhe Boaz: Achega-te aqui, e come do pão, e molha o teu bocado no vinagre. E ela se assentou ao lado dos segadores, e ele lhe deu do trigo tostado, e comeu e se fartou, e ainda lhe sobejou.” (Rute 2:14 – ARC)
Essa passagem ilustra como Deus não apenas supre as necessidades básicas, mas também concede abundância àqueles que confiam n’Ele. A história de Rute nos ensina que, mesmo quando tudo parece difícil, a fidelidade e a obediência a Deus podem abrir portas inesperadas e conduzir a um futuro de bênçãos.
A colheita de Rute nos campos de Boaz é, portanto, um testemunho da graça divina e do propósito de Deus em acolher e redimir aqueles que O buscam com humildade e perseverança.
O Que Podemos Aprender Com a História de Rute e Boaz?
A história de Rute e Boaz nos ensina valiosas lições sobre fé, provisão e redenção. O que Rute colhia nos campos de Boaz era muito mais do que simples espigas de cevada; era o testemunho da graça e da fidelidade de Deus para com aqueles que se submetem ao Seu propósito.
Uma das primeiras lições que podemos extrair desse relato é a importância da fidelidade. Rute permaneceu ao lado de Noemi mesmo diante da incerteza e confiou que Deus proveria para elas. Sua disposição em trabalhar, sua humildade e seu respeito pelas tradições do povo de Israel demonstram que aqueles que confiam no Senhor nunca são desamparados.
Outra grande lição é a generosidade de Boaz, que reflete o caráter de Deus. Ele não apenas cumpriu a lei ao permitir que Rute respigasse em seus campos, mas foi além, demonstrando bondade e cuidado. Isso nos ensina que Deus usa pessoas para serem instrumentos de provisão e proteção na vida daqueles que O buscam.
Além disso, a trajetória de Rute aponta para um princípio espiritual ainda maior: a redenção. Assim como Boaz resgatou Rute e lhe concedeu um futuro próspero, Deus nos resgata da escassez espiritual e nos concede uma nova vida por meio de Sua graça.
Essa história também se relaciona com o Salmo 37:25, citado no início deste artigo:
“Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua semente a mendigar o pão.” (Salmo 37:25 – ARC)
Rute experimentou essa verdade em sua própria vida. Ainda que fosse estrangeira e pobre, Deus não permitiu que lhe faltasse sustento, mostrando que Ele cuida daqueles que andam em retidão.
Portanto, o que Rute colhia nos campos de Boaz é um poderoso lembrete de que Deus nunca desampara aqueles que confiam n’Ele. Seja em tempos de dificuldade ou abundância, Ele é o provedor fiel, guiando os passos daqueles que se submetem à Sua vontade e demonstrando que Seu amor e graça alcançam a todos que O buscam de coração sincero.